quinta-feira, 30 de abril de 2015

LIVROS DA NOSSA MEMÓRIA: O Dia dos Prodígios


O Dia dos Prodígios foi o primeiro livro publicado pela consagrada escritora Lídia Jorge, a quem a Universidade do Algarve atribuiu em dezembro de 2010 o grau de Doutor Honoris Causa, tendo, na ocasião, a sua laudatio sido proferida Prof. Doutor Pedro Ferré da Ponte.
Nesta sua obra de estreia em 1980, a autora partilha o seu modo pessoal de entender o insólito provocado pelo impacto da Revolução dos Cravos em certos lugares periféricos, nas profundezas duma ruralidade característica do Estado Novo. Para tal, dá voz aos modos de sentir da gente humilde de uma localidade ficcional que poderia ser a sua terra natal no Algarve – Boliqueime
Neste texto, digno de alguém já em plena maturidade, aborda-se uma realidade arredada dos longínquos ecos vindos de Lisboa e demasiado centrada no imediatismo de acontecimentos prodigiosos que se desenrolam num outro estranho mundo, onde os protagonistas são seres quase imateriais.
Testemunha do seu tempo, dando a palavra ao povo, em particular às mulheres, Lídia Jorge, embora consciente dos ventos de mudança trazidos pelo 25 de abril, imortaliza uma gente que, embora afastada do progresso, sofre as contradições do choque entre os mitos de um país fechado e as novas esperanças anunciadas.
 

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Ciclo Filme e Psicanálise – “Infâncias”


A Associação Portuguesa de Psicoterapia Psicanalítica (APPSI) – presidida pelo Prof. Doutor Frederico Pereira que integra a Comissão Científica da OMNIA – decidiu promover este ano o ciclo Filme e Psicanálise que se propõe abordar a temática Infâncias através do cruzar de um duplo olhar, fílmico e psicanalítico.
Segundo as palavras dos organizadores deste evento, “(…) o filme constitui-se  como linguagem simbólica que traduz diferentes perspetivas e sistemas de valores, mas permite sobretudo a projeção de afetos, desejos e fantasmas (…)”. Quanto à psicanálise “(…) procurou, desde os seus primórdios compreender este período (…) onde se constituem os alicerces da vida psíquica (…).”
Neste contexto, a partir de uma seleção de filmes de diferentes nacionalidades e situados em épocas distintas que abordam um mundo “que foi e será sempre de todos nós (…) porque não há uma infância, há muitas infâncias, cada uma com infinitas camadas, memórias, vivências”, prevê-se apresentar até ao final do verão a seguinte programação:
·      no dia 23 de maio, Aniki Bóbó, realizado por Manoel de Oliveira em 1942;
·      no dia 20 de junho, Incompreso (O incompreendido), realizado por Luigi Comencini em 1966 (vencedor do prémio David di Donatello da Academia Italiana de Cinema para a melhor realização);
·      no dia 11 de julho, Au revoir les enfants (Adeus rapazes), realizado por Louis Malle em 1987 (nomeado para os Óscares como Melhor Filme de Língua Estrangeira e Melhor Argumento e vencedor do Leão de Ouro no Festival de Veneza);
·      no dia 19 de setembro, Les quatre cents coups (Os 400 golpes), realizado por François Truffaut em 1959, (nomeado para os Óscares na categoria Melhor Argumento e vencedor do Festival de Cannes na categoria de Realização).
 

Fósseis de anfíbios gigantes no Algarve

      Foram descobertos na aldeia da Penina, no concelho algarvio de Loulé, fósseis de um anfíbio gigante com cerca de 220 milhões de anos que, durante o período Triássico, viveu em lagos e rios, tal como vivem atualmente os crocodilos. A família a que pertence – os metopossauros – incluía animais parecidos com salamandras gigantes.

Os espécimes encontrados no nosso país tinham uns dois metros de comprimento e dentes bem afiados. Viviam num lago que, ao secar, os matou, bem como a muitos outros animais e evidenciam-se pelo facto de, embora tendo características semelhantes a outros metopossauros já conhecidos, apresentarem algumas particularidades próprias, designadamente na estrutura do crânio e da mandíbula. São por isso descritos como pertencentes a uma espécie nova do grupo dos metopossauros – anfíbios primitivos a partir dos quais evoluíram os anfíbios modernos como os sapos e as salamandras –, tendo recebido o nome científico de metoposaurus algarvensis.
Na Europa há apenas mais duas outras espécies de metopossauros  (metoposaurus diagnosticus e metoposaurus krasiejowensis). Para lá do nosso continente, têm sido encontrados fósseis de metopossauros em África e na América do Norte.
 

O n.º 2 da OMNIA já está on-line


O segundo número da OMNIA – Revista Interdisciplinar de Ciências e Artes, ontem colocado on-line no nosso site, conta com a participação de académicos  e outros investigadores que, individualmente ou em coautoria, nos apresentam dez interessantes artigos, através dos quais procuram confluir para uma perspetiva interdisciplinar.
 Trata-se de um número não-temático, coordenado pelo Diretor-Adjunto da revista, Prof. Doutor Francisco Baptista Gil que, na Nota Introdutória, realça os obstáculos e as vicissitudes e no caminho que nos propomos trilhar, a fim de equacionar de modo abrangente muitos dos tópicos com que nos deparamos no difícil percurso para entender algumas das questões do nosso tempo.
A OMNIA, publicação bianual do GREI, que iniciou a sua existência em outubro do ano passado, integra para já na sua Comissão Científica cerca de duas dezenas de individualidades de Portugal, Brasil e Espanha, as quais aceitaram solidarizar-se com este projeto. A Direção da revista e o seu Conselho Editorial muito prezam esta colaboração,  cientes da relevância do seu contributo para os objetivos que nos propomos  alcançar.
O terceiro número da OMNIA, a publicar novamente em outubro próximo, subordinado ao tema Educação, saúde e qualidade de vida, será coordenado pelo Prof. Doutor Saul Neves de Jesus, Presidente do Conselho Científico da Faculdade de Ciências Humanas e Sociais e Diretor do Centro de Investigação sobre Espaço e Organizações (CIEO) da Universidade do Algarve.

sexta-feira, 17 de abril de 2015

IARS software – sessão de demonstração


No passado dia 8 de abril realizou-se na Universidade de Aveiro uma sessão de demonstração sobre o recentemente lançado software IARS®  (Isabel Alarcão Research Software) – da autoria de Dayse Neri de Souza e Francislê Neri de Souza – que se baseia num guião estruturante de planos de investigação, destinado a professores e investigadores orientadores de trabalhos académicos.
Neste projeto, que surgiu no âmbito do Programa de Partilha e Divulgação de Experiências com Inovação Didática financiado pela Fundação de Ciência e Tecnologia, participaram várias entidades, nomeadamente o CIDInE – Centro de Investigação, Difusão e Intervenção Educacional.
Na iniciativa realizada compareceram vários membros da referida associação, entre os quais o Prof. Carlos Marques Simões, também investigador-titular do GREI.
 

Dieta mediterrânica

        Dieta Mediterrânica – património cultural milenar” é o nome da exposição que o museu municipal de Tavira – no Palácio Galeria – vai manter até ao final do ano. Esta mostra constitui uma excelente oportunidade para conhecer a sua história, aspetos sociais e religiosos, assim como os alimentos considerados sagrados para os povos da região.

        O que é a Dieta Mediterrânica? A exposição responderá a esta questão dando-a a conhecer enquanto estilo de vida e padrão alimentar, nas suas múltiplas dimensões; estas últimas incluem  o conceito de espaço cultural e as vivências mediterrânicas milenares que constituem esse património cultural imaterial que tem sido transmitido de geração em geração. Evidenciam-se também os produtos do mar e da terra  que dão suporte a práticas que são reconhecidas como um regime alimentar de excelência pela Organização Mundial de Saúde.

PORTUGAL PAÍS DE POETAS: Antero de Quental

                                O Palácio da Ventura
      
                        Sonho que sou um cavaleiro andante.
                      Por desertos, por sóis, por noite escura,
                           Paladino do amor, busco anelante
                                            O palácio encantado da Ventura!

                                          Mas já desmaio, exausto e vacilante,
                                        Quebrada a espada já, rota a armadura...
                                          E eis que súbito o avisto, fulgurante
                                           Na sua pompa e aérea formosura!

                                       Com grandes golpes bato à porta e brado:
                                           Eu sou o Vagabundo, o Deserdado...
                                        Abri-vos, portas de ouro, ante meus ais!

                                           Abrem-se as portas d'ouro com fragor...
                                            Mas dentro encontro só, cheio de dor,
                                             Silêncio e escuridão - e nada mais!


Antero de Quental
(1842-1891)